Atendimento

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Como é feita a terapia pelo método da Filosofia Clínica?

Seja em consultório, por telefone, web vídeo, em visitação domiciliar, em um parque ou em quaisquer lugares subjetivamente agradáveis, a terapia é realizada onde e como a pessoa se sente mais à vontade. De diferentes maneiras, o filósofo clínico vai ao mundo existencial do outro, sempre na qualidade de hóspede, respeitando o modo único de ser de cada pessoa.

Em Filosofia Clínica se evita tanto o conceito de “paciente”, classificado pelo viés da doença e da passividade, quanto o uso do termo “cliente”, associado à ênfase do comércio nas relações.algumas sessões iniciais, com aprofundamentos na escuta e análise da historicidade de vida do partilhante. Essa pessoa é chamada de “partilhante”.

Em termos práticos, acontece em dois belíssimos momentos:

1.  Na primeira etapa o filósofo pede ao partilhante que conte a sua história em seus próprios termos, perspectivas e contextos de vida, desde as suas primeiras lembranças. Com metodologias acadêmicas específicas, desenvolvidas nos 2500 anos de história da filosofia, o filósofo clínico procura conhecer a visão de realidade da pessoa, sua estrutura de pensamento absolutamente única no mundo, seus valores, corporeidade, comportamentos, emoções, expressividade e outros. Busca escutá-la com os significados conferidos por ela mesma, o mais próximo possível da sua linguagem e do seu modo subjetivo de ser. Se cada indivíduo é único, é preciso compreender sua singularidade existencial para saber ajudá-la também de forma única a conquistar sua própria e inigualável autenticidade.

2. Na segunda parte do processo, amparado pelo conhecimento filosófico sobre o outro, o filósofo clínico orienta, faz devoluções de esclarecimentos, dialoga. Ajuda o partilhante a assumir a sua potência de vida, da maneira mais lúcida, capaz, talvez mais alegre e disposta a enfrentar os desafios da existência. Naturalmente,  se tudo isso fizer sentido para a pessoa. Seja como for, a Filosofia Clínica permite, entre outros, desconstruir problemas e sofrimentos equivocados, que muitas vezes nós próprios fabricamos desnecessariamente.

Falando sobre agendamentos, na caminhada existencial da terapia o mais frequente e recomendável é pelo menos a prática de uma sessão semanal de 50 minutos, em horários marcados. Quem desejar urgência no tratamento, mais rapidez ao menos nessa primeira fase, pode-se marcar duas (ou mais) sessões semanais.

A metodologia filosófico clínica, na teoria e na prática, se qualifica para compreender o outro na sua alteridade, isto é, com profundo e radical respeito ao seu modo único de existir no mundo. Não utiliza opiniões pessoais ou testes julgatórios prontos, teorias universais normativas do ser humano, sejam psicológicas, psiquiátricas, antropológicas, morais, religiosas ou outras. A Filosofia Clínica reconheça o valor de outros saberes e terapias, e dialoga com todos eles, muitas vezes em um trabalho multidisciplinar. Todavia, o filósofo clínico não se utiliza de teorias ou posturas que induzam às classificações diagnósticas, aos testes de personalidade, ou a quaisquer julgamentos sobre valores de saúde baseados em princípios de psicopatologia, transtorno ou desequilíbrio mental com base em uma suposta “normalidade”.​

Nesse sentido, muito mais do que um mero jargão popular, por meio de um radical conhecimento teórico e vivencial, é possível se dizer e se praticar o sentido da frase: “deve-se respeitar as pessoas como elas são”. Para tanto, o filósofo clínico, antes de mais nada, se pergunta: “como elas são?”, ciente que a resposta existencial virá diferente para cada pessoa no seu contexto de vida. De fato e de direito, cada única pessoa é por inteiro sem igual.

Assim, o filósofo clínico se utiliza de várias epistemologias e métodos clínicos para assegurar um conhecimento autêntico e original da singularidade do outro, o mais próximo das suas próprias vivências. Trata-se de uma escuta atenta, ética e profundamente filosófica porque sem prejulgamentos. É o outro, antes de mais nada, quem pode ensinar o filósofo clínico sobre quem ele é ou pode ser, como se mostra, suas características determinantes etc.

 

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"Por conclusão, de tudo o que sei e que vivi, de tudo o que me ensinaram... não posso para mim aceitar outra ética que não seja verdadeira escuta. E, se minhas experiências guardarem algum valor para além de mim mesmo, repartirei contente a recompensa

Com vontade sincera, resumo tudo numa única pergunta: de toda a sua alma, quer verdadeiramente servir ao próximo, ouvindo-lhe as mais fundas necessidades da vida? Como lhe haveria eu de explicar essa verdade que ouvi-la não basta, se estiver distraído? É que não nos entendemos diretamente com a individualidade das pessoas, mas com os laços que nos unem.

Se o espírito é distante e a consciência dorme, não há o que dizer. Se as almas vivessem sozinhas, não haveria palavras. Como se sabe, a palavra disfarça o pensamento tanto quanto o revela pela maneira como o esconde. Se alguém se recusa a falar sobre determinado tema, mudando de assunto, isso diz muito... Em qualquer um, toda mentira, alucinação ou simples devaneio tem seu próprio estilo. A palavra é um gesto de intenções, um desejo de comunicação, um jogo de interesses.

Sabe o bom terapeuta, o bom amigo, o filósofo, que a operação de falar implica a de escutar, e que ninguém pode esquecer-se disso. Os ouvidos ouvem, a alma escuta. Se houver algo a ser dito entre dois, que seja um encontro."

(GOYA, Will. A Escuta e o Silêncio. Lições do Diálogo na Filosofia Clínica, p. 205-6).

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